sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
BRASÍLIA: COMO CHEGAR A UM NOVO CAMINHO
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
VEJA: MÁ VONTADE E PRECONCEITO CONDUZEM À CEGUEIRA
Resposta do ministro Jorge Hage a editorial de balanço da revista Veja:
Brasília, 27 de dezembro de 2010.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
ÚLTIMO PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA
Estou com 62 anos e faço militância política desde os 14 anos.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
UMA PAUTA DE VERDADE: DESAFIO À IMPRENSA BRASILEIRA
Ao se despedir, na condição de presidente do Brasil, dos demais chefes de Estado da América Latina, Luiz Inácio da Silva, o Lula, aproveitou, em Mar del Plata, para apresentar a sua sucessora, Dilma Rousseff. E o fez sem perder a oportunidade de antegozar essa sucessão como prova irrefutável da consolidação da democracia brasileira. Lembrou o passado de militante política clandestina da nova presidente, que chegou a ser condenada e cumprir pena, antes sendo barbaramente torturada.
Lula disse que já imaginava, quando Dilma subisse a rampa do Planalto, no que estaria pensando o seu antigo torturador.
Ele bem sabe que não anima a Dilma qualquer sentimento revanchista, um traço que serve para evidenciar a grandeza de sua sucessora e marcar profundamente aquela consolidação democrática a que Lula se referiu.
Se é possível chamar assim, a “vingança” de Dilma Rousseff, como a de Lula, cada um com a sua singularidade, está em mostrar que, ao contrário de seus algozes, podem redefinir o projeto de desenvolvimento brasileiro. Retirar o País de uma situação de quase insolvência para levar a uma marcha batida em direção ao grupo das nações mais desenvolvidas do mundo. Como Lula destacou, ele sai do governo e Dilma assume quando se coloca a perspectiva concreta, para um horizonte muito próximo, de o Brasil figurar entre os cinco países mais desenvolvidos.
Isso é muito. E é muito mais quando se observa que esse desenvolvimento se dá com distribuição de renda, uma alternativa liminarmente descartada nos anos de regime militar e que não foi enfrentada pelos sucessivos presidentes da fase de redemocratização.
É certo que os dois presidentes – o que sai e a que entra – não têm a tendência de descambar para o revanchismo, limitando-se a curtir a curiosa circunstância de uma ex-militante da resistência à ditadura ocupar, pela via democrática, a cadeira que parecia definitivamente reservada aos ditadores.
A sociedade, porém, ainda espera pela verdade. A grande mídia carioca e paulistana tem uma visão diferente do que seja essa verdade. Nas reuniões corporativas, os proprietários de jornais, emissoras de rádio e TV insistem na tecla de que sua única missão é levar ao noticiário os fatos que a sociedade quer conhecer.
Ao ver a iminência de vitória da candidatura à Presidência da antiga militante e, especialmente, quando Dilma viabilizou sua eleição, essa mídia (Folha de São Paulo e Globo) não abriu mão de apossar-se dos autos do processo da nova presidente na Justiça Militar. Entendeu que eram fatos de primeira grandeza, a excitar a curiosidade de seu público.
Pois bem, a partir da singela reflexão do presidente Lula em sua fala aos Chefes de Estado que lhe rendia estrepitosa homenagem na Argentina, os barões da grande mídia brasileira, seus editores, ganham uma pauta irrecusável. Esta, sim, capaz de satisfazer leitores, espectadores e ouvintes.
Dificilmente, há hoje um só brasileiro que não quisesse conhecer os torturadores de Dilma Rousseff. Quem são? Como vivem e de que vivem atualmente? Estão em paz com as suas conscicências? Sentem-se realizados pessoal e profissionalmente por terem torturado Dilma e tantos outros lutadores da resistência? Vivem tranqüilos com suas mulheres e filhos? Em quem votaram nesta eleição?
Esta é a verdadeira pauta dos grandes veículos de comunicação brasileiros. Buscar esses torturadores, identificá-los, entrevistá-los, ouvir seus vizinhos, parentes e amigos. Negligenciar essa pauta é negar o papel de imprensa de que tanto se orgulham.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
O MINISTRO X-9

Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa , um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.
Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.
Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.
No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.
Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.
Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.
Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.
Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.
De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
AS DUAS VITÓRIAS DE 2010

Passadas as primeiras águas do segundo turno, é o momento de entender mais profundamente o processo e desembaçar as janelas para vislumbrar o futuro.
O processo eleitoral avançou
Ainda não é o principal. Esta eleição representou um salto qualitativo ainda não suficientemente avaliado.
Esse caráter ideológico se aprofundou em 1989, a primeira eleição direta para a Presidência desde o movimento militar de 1964. Foi uma eleição solteira, em que não havia disputa para qualquer outro cargo eletivo. Daí, embora as campanhas buscassem enraizamento a nível municipal, os candidatos tinham que falar diretamente aos eleitores, o que lhes impunha a explicitação do discurso. Nem todos os 21 candidatos tinham nitidez de posições, mas dá pra imaginar a diversidade ideológica do debate.
2010, um novo paradigma
A eleição deste ano se dá após os dois períodos de Lula, que participou intensamente da campanha. Dilma Rousseff esteve a centímetros da eleição no primeiro turno, em que alcançou 46,91% dos votos. No segundo turno, Dilma chegou a 56,05% do eleitorado.
Fernando Tolentino
domingo, 7 de novembro de 2010
O EVANGELHO E A ELEIÇÃO
Se você é cristão e, há uma semana, teve (ou ficou com) alguma dúvida sobre o acerto da sua decisão na hora da escolha entre Dilma ou Serra, veja o que disse o Evangelho um domingo depois:
"Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos sentaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O GOVERNO MAIS REPUBLICANO DA HISTÓRIA BRASILEIRA
Juarez Guimarães
Imagine se em uma casa de mais de cem anos se fizesse, pela primeira vez de modo profundo e sistemático por um novo ocupante, uma caça e combate a baratas, ratos e outros bichos. As pragas, então, reveladas dariam a impressão que a casa está muito mais suja e infestada do que era antes. Se não fosse revelada ao público adequadamente que só agora se faz uma pesquisa e combate sistemático a estas pragas, e que a limpeza apenas começou, ficaria a impressão de que o novo dono “sujou geral”, como se diz.
A estória revela exatamente o que ocorreu durante o governo Lula e, de forma dramática, agora nas eleições presidenciais de 2010. No segundo domingo de outubro pela manhã um ponto de ônibus de um bairro de classe média alta de Belo Horizonte apareceu com a convocação fixada em letras garrafais: “ Vamos por fim ao governo Lula, o mais corrupto da história do Brasil”. Na manhã do dia seguinte, o jornal Folha de S. Paulo alardeava que dos 19 % pontos de votação alcançados por Marina Silva, 7 % tinham migrado de Dilma em função da denúncia sobre os lobbies dos filhos de Erenice.
Isto não surpreende a quem, por vários anos, vem estudando o fenômeno da corrupção no Brasil. Pelo segunda ano consecutivo, pesquisas nacionais realizadas pelo Instituto Vox Populi em 2009 identificavam que a corrupção é muito grave para 73 % dos brasileiros e grave para 24 % outros.
A pesquisa registra o paradoxo da consciência atual dos brasileiros, ao modo da estória da casa infestada de pragas e seu novo dono mais asseado: 39 % julgam que a corrupção aumentou muito durante o governo Lula, 33 % avaliam que ela aumentou um pouco e 19 % que ela não aumentou nem diminuiu. Por outro lado, quando colocados diante das opções, “1- A corrupção aumentou durante o governo Lula” ou “2- Durante o governo Lula, o que aumentou não foi a corrupção, mas a apuração dos casos que ficavam escondidos”, 75 % optavam pela resposta 2 e apenas 15 % pela resposta 1.
Os liberais conservadores e a mídia empresarial, liderados pelo ex-presidente FHC, compreenderam muito bem e antes a moral da estória da casa infestada e seu novo dono. Já passou da hora do novo governante da república brasileira, historicamente marcada pela corrupção sistêmica, vir a público para esclarecer os vizinhos da sua rua. O preço a pagar pelo silêncio é muito alto: os vizinhos podem até querer expulsá-lo de lá.
No livro mais denso e amplo de reflexões sobre a corrupção já elaborado no Brasil ( Corrupção- Leituras críticas, Editora UFMG, 2008), que mobilizou mais de 60 intelectuais de várias áreas, a crítica ao critério único da percepção como medição da corrupção aparece em vários momentos, inclusive aos relatórios divulgados pelo Banco Mundial. Por este critério único da percepção, por exemplo, uma ditadura que silenciasse todo tipo de crítica pode parecer como a menos corrupta.
Os brasileiros não sabem, por exemplo, que os escândalos dos Sanguessugas, dos Vampiros, dos Gafanhotos, do Propinoduto da Receita, do Gabiru, da Confraria, da Navalha, do Valerioduto e tantos outros foram revelados durante o governo Lula mas tinham origem em governos anteriores.
O governo mais republicano da história
A prova, fartamente documentada e sistematizada, que o governo Lula, exatamente ao contrário do que diz o cartaz apócrifo pregado em um manhã de domingo em Belo Horizonte, é o governo mais republicano da história do país está no pequeno e precioso livro de Jorge Hage, ministro-chefe da Controladoria Geral da União, intitulado “O governo Lula e o combate à corrupção” ( Editora Fundação Perseu Abramo, 2010). Lá se informa, de modo didático, aos vizinhos da rua o que o novo morador da casa anda fazendo em três capítulos: Fatos e números na área da repressão à corrupção; Fatos e números na área de prevenção e transparência; Fatos e números na área do Controle Interno (principais inovações). ( O livro “O governo Lula e o combate à corrupção” está aberto para download na Biblioteca Digital da Fundação Perseu Abramo).
O que já foi feito nestes anos foi suficiente para que o professor Stuart Gilman, consultor da ONU e do Banco Mundial e uma das maiores autoridades do mundo no tema anticorrupção, afirmasse: “Atualmente, coisas impressionantes têm sido feitas na luta anticorrupção (no Brasil).(o) trabalho na CGU é reconhecido mundialmente. O Portal da Transparência, onde os cidadãos podem ver onde o dinheiro público supostamente deve ser gasto, foi uma excelente idéia que se tornou um modelo para outros países. O Brasil está fazendo um grande trabalho, de verdade. E é também verdade que ainda há muito por fazer.” ( Carta Capital,16 de dezembro de 2009). Além disso, o Brasil foi classificado em oitavo lugar em um ranking de 85 países que tiveram o grau de transparência de seus orçamentos públicos analisado pelo International Budget Partneship (IBP), uma ONG com sede em Washington.
Em um Estado que tem uma história de corrupção sistêmica e não eventual, o combate à corrupção deve ser sistemático. O comando deste trabalho está na Controladoria Geral da União (CGU), que realizou três concursos públicos de 2003 a 2009, aumentando seu quadro efetivo de 1430 a 2.286 analistas e técnicos, elevou os salários de seus quadros e investiu fortemente em equipamentos.
A CGU tem funcionado como uma inteligência articuladora da luta contra a corrupção: com a Polícia Federal, mas também com o Ministério Público ( 2452 procedimentos judiciais instaurados em decorrência das fiscalizações da CGU), com a Advocacia Geral da União ( 340 ações de improbidade ajuizadas com fundamento nos trabalhos da CGU), com o Tribunal de Contas da União ( 11 mil Tomadas de Contas Especiais, com retorno potencial de 4,3 bilhões de reais aos cofres públicos) Da CGU partiram as principais inovações no combate à corrupção, que podem ser reunidas em sete.
A primeira foi a criação – antes não havia - de Um Sistema de Correição da Administração Federal, com uma corregedoria setorial em cada ministério e uma corregedoria-geral na CGU. Isto permite a punição exemplar e justa a funcionários corruptos sem ter que esperar a longuíssima tramitação processual no Judiciário. Até 31 de dezembro de 2009, já perderam o cargo efetivo ou aposentadoria, 2398 servidores federais, entre os quais 231 ocupantes de altos cargos, como dirigentes e superintendentes de estatais, secretários e subsecretários de ministérios, procuradores e fiscais da Receita, gerentes, juízes.
A segunda inovação foi a articulação CGU e Polícia Federal, que exponenciou – como nunca havia sido visto antes no Brasil – as operações especiais de desbaratamento de máfias de corrupção: de 2004 até 15 de dezembro de 2009, a PF realizou 995 operações, com a prisão de 12.989 pessoas.
A terceira inovação foi a introdução sistemática da punição aos corruptores – antes não havia –, em geral empresas que fraudam obras e serviços públicos. Foi criado o Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas, disponibilizado na Internet, que evita, por exemplo, que uma empresa punida na Bahia seja contratada pelo estado do Rio de Janeiro ou pelo próprio governo federal. Está também em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei, enviado pelo governo Lula, que estabelece pela primeira vez punições e multas elevadas a empresas corruptoras. A quarta inovação – antes não havia – foi a criação do Portal da Transparência (www.portaldatransparência.gov.br), considerado modelo no mundo. Ele abriga hoje cerca de 900 milhões de unidades de informação, envolvendo a aplicação de recursos orçamentários superiores a 6,4 trilhões ( de 2004 a 2009). Criado em linguagem didática e cidadã, intelegível ao cidadão comum, sem senha nem cadastro, ele permite, por exemplo, saber os detalhes de cada programa federal, de cada verba e de cada beneficiário, mês a mês, nome por nome, endereço por endereço.
A quinta inovação - antes também não havia – foi o Programa de Fiscalização por Sorteios, que fiscaliza o uso dos recursos federais repassados aos municípios nas diversas funções, como educação, saúde, assistência social, habitação. A escolha da amostra a ser fiscalizada é feita por sorteios públicos na Caixa Econômica Federal. Já foram fiscalizados , com auditorias diretas e minuciosas em cada local , 1 700 municípios envolvendo 13 bilhões de recursos federais. O mesmo foi feito para os recursos federais repassados aos estados, com 77 fiscalizações e recursos superiores a 6 bilhões de reais.
A sexta inovação – também isto não existia! – foi a criação do Conselho de Transparência Pública e combate à Corrupção, que estabelece a ponte com a sociedade civil. O Conselho tem vinte integrantes, entre os quais a OAB, a ABI, a ONG Transparência Brasil, entidades das classes patronais e dos trabalhadores. O Programa Olho Vivo já formou 19 mil cidadãos e editou 2 milhões de cartilhas, ensinando como controlar o dinheiro público. Os projetos da CGU voltados à promoção da ética e da cidadania entre a juventude já mobilizam cerca de 740 mil crianças e jovens, bem como 23,5 mil professores, de 5.500 escolas brasileiras.
Por fim, a sétima inovação – está também era um problema básico não enfrentado – é o encaminhamento de um Projeto de Lei pelo presidente Lula ao Congresso Nacional tornando mais rigorosas as punições por crimes contra a corrupção por autoridades do primeiro escalão no plano federal, estadual e municipal. Os crimes de corrupção, além de ter a pena dobrada, seriam pelo Projeto de Lei considerados hediondos, tornando-se inafiançáveis, sendo os criminosos passíveis de decretação imediata de prisão temporária de 30 dias, renováveis por igual período, sendo vedados os benefícios de anistia, graça ou indulto.
Cidadão e corrupção
Nem o mais faccioso oposicionista ao governo Lula conseguirá citar um décimo que seja destas ações republicanas que tenham sido feitas por um governante do Brasil anterior ao presidente Lula. Não saem de nossa memória, os escândalos no governo FHC como o dos Anões do Orçamento, dos precatórios, do DNER, da compra de votos para a reeleição em 1998, da Sudene, da Sudam, do Fat/Planfor, das Privatizações, do Proer, da pasta Rosa, do Banestado e dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, para citar apenas alguns. Mas o que mesmo foi feito de combate sistemático à corrupção pelo governo tucano ? Quem não se lembra da figura do “engavetador-geral da República” ? Só pelo Ministério da Justiça passaram nove titulares em oito anos, mostrando a desconsideração total com esta área. E a Polícia Federal no governo FHC, ao invés das 1150 operações especiais feitas até agora pelo governo Lula, fez apenas...23 operações especiais!
Mas as denúncias comprovadas de atos de corrupção durante o governo Lula demonstram também que o desafio está longe de ser vencido, apesar dos avanços fundamentais conseguidos. Na maior parte da história do Brasil não havia democracia e, portanto, controle social. E quando a democracia foi reconquistada, os valores e instituições republicanas estavam profundamente corroídos.
Além de histórica, a corrupção no Brasil é sistêmica, é capaz de se reproduzir de forma permanente através das relações entre as empresas e bancos e o sistema político, os partidos e as eleições caríssimas que funcionam com financiamento privado sem controle devido. Sem a reforma política, que introduza o financiamento público e rigorosamente controlado, os circuitos da corrupção serão sempre renovados a cada eleição.
Além disso, nossa legislação penal e processual só permite levar o réu à prisão após o trânsito em julgado do último recurso, geralmente no Supremo Tribunal Federal. Não há nenhum país do mundo que ofereça tantas oportunidades aos criminosos de fugir aos rigores da lei. Os recursos e procedimentos protelatórios, usados principalmente por quem pode pagar bancas especializadas de advogados, estimulam a sensação de que o corrupto jamais terá a pena que merece.O Brasil já consegue ver no horizonte mais próximo o fim da miséria. Precisa agora ver também o fim próximo da corrupção sistêmica. Assim como diz o poeta, para que rimar amor e dor, cidadão não rima com corrupção.
No dia 12 de outubro, Dilma afirmou com veemência, após defender a urgência da Reforma Política: “ O Brasil precisa hoje também uma melhoria nos padrões éticos e morais e necessita, para transformar-se numa sociedade desenvolvida, que a gente valorize a relação da Nação com valores culturais,e éticos e morais. É um todo que começa no combate ferrenho à corrupção. É importante perceber que não haverá impunidade no meu governo.”
Carta Capital
13/10/2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
É PRECISO ENTENDER SERRA E O PSDB
Sarney e Collor votam em Dilma e, por isso, Serra diz que são os ex-presidentes dela. Isso é verdade?
Adivinhe quem era o líder do Governo Sarney no Congresso. Adivinhou? Fernando Henrique. Justamente quem Serra define como um ex-presidente dele. O PFL (hoje DEM) lhe dava base de sustentação. Estranho, né?!
O PT, de Dilma, era oposição.
Depois veio o governo de Collor. Seu vice era Itamar Franco, que Serra também define como um ex-presidente dele. O PFL era também o seu principal apoio. O secretário de Governo, Jorge Bornhausen (DEM-SC) disse, quando foi convocada a CPI para apurar denúncias contra o seu governo, que ela não daria em nada. O falecido cacique baiano ACM (DEM até depois de morto, pois deixou o partido, na Bahia, sob o controle da sua família) ficou com Collor até a última hora.
Antes, logo após assumir, Collor recebeu a visita no Palácio do Planalto (junho de 1990) de Fernando Henrique e Euclides Scalco. Foram discutir o apoio do PSDB, que acabou não saindo, pela forte oposição dos tucanos liderados por Mário Covas.
O grupo mais à direita do PSDB não se deu por vencido. Em 7 de fevereiro de 1991, suas lideranças principais foram a um café da manhã no Palácio do Alvorada para retomar as conversas. Fernando Henrique e o então deputado José Serra eram os mais simpáticos à proposta, que teve outra vez forte reação da turma de Mário Covas.
Não deu tempo para o namoro prosperar. Vieram as denúncias, a CPI e o impeachment.
O movimento pelo impeachment levantou a nação. O PT esteve na linha de frente da campanha para afastar o presidente. Com a popularidade do movimento, o PSDB, claro, embarcou nele.
Agora, respondam: por que Sarney e Collor votam contra Serra e o PSDB?
É fácil responder. Assim como Serra mente sempre, o PSDB sempre trai.
Collor deve ter motivos para acreditar que Itamar, um dos ex-presidentes de Serra, também o traiu.
E quem gosta de traição?!
domingo, 10 de outubro de 2010
DILMA E A FÉ CRISTÃ

Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".
Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos. Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.
Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo. Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam. Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.
A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.
Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.
Publicado na coluna "Tendências/Debates", da Folha
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
CAMPANHA DE DILMA CRIA A CORRENTE DO BEM
Diante da guerra feita contra a sua campanha pela internet, com a multiplicação de boatos, intrigas e mentiras, a Campanha de Dilma Rousseff criou a Corrente do Bem.
Estamos divulgando o seu endereço – http://www.dilma13.com.br/verdades – para que todos possam desfazer dúvidas quando receberem mensagens ardilosamente produzidas para tentar levar à sociedade uma falsa impressão sobre a candidata e, assim, interferir no resultado das urnas.
Como se trata de informações sabidamente falsas, essa guerra se constitui numa tentativa de usar a internet para fraudar as eleições.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO
Manifesto de Reitores das Universidades Federais à Nação Brasileira
Da pré-escola ao pós-doutoramento - ciclo completo educacional e acadêmicode formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional - consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.
Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.
Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.
Alan Barbiero - Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes - Universidade Federal Rural do Semi-árido(UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins - Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea - Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges - Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder - Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias - Universidade Federal da Grande Dourados(UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe.Martins Müller - Universidade Federal da Santa Maria (UFSM)
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles - Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari - Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias - Universidade Federal do Ceará – (UFC)
Sueo Numazawa - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin - Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho - Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior - Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade - Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
sábado, 2 de outubro de 2010
EIS A CARTA QUE A FOLHA DENUNCIOU
Passados oito anos desde a primeira eleição de Lula para Presidente da República, sinto-me com a consciência tranquila.
Presidente: Dilma - 13
Governador: Agnelo - 13
Senadores: Cristovam - 123 e Rollemberg - 400
Deputada Federal Érika - 1331
Deputada Distrital Arlete - 13113.
Grato,
ATENÇÃO: A edição impressa da Folha de São Paulo publicou também os esclarecimentos que ofereci à Repórter Simone Iglesias.
Veja a seguir:
OUTRO LADO
TOLENTINO NEGA TER DISTRIBUÍDO CARTA A TODOS
De Brasília
Diretor-geral da Imprensa Nacional desde fevereiro de 2003, Fernando Tolentino confirmou a autoria da carta mas negou que a tenha distribuído a todos os funcionários do órgão.
“Fiz a entrega a alguns amigos aqui dentro. Pode ser que alguém tenha passado para a frente, não sei.” Servidor de carreira do Legislativo do DF, foi cedido para a estatal no começo do governo.
Tolentino afirmou que não digitou a carta em seu gabinete, mas em casa, e que fez as cópias em uma loja próxima à sede da Imprensa Nacional, ao custo de R$ 0,07 cada carta.
Ele afirmou que pediu “entre 50 e 100” cópias, e que acredita que a distribuição do documento aos “amigos” não constitui crime eleitoral. Disse entender que manifestação pessoal é “liberada”.
“O que não pode fazer é manifestação institucional e uso institucional. Isso tenho consciência porque fui advertido pela Secom.”
Folha de São Paulo: DIRETOR DE ESTATAL PEDE VOTOS PARA DILMA
Fernando Tolentino pede que funcionários votem no candidato do PT a governador; lei proíbe essas práticas
DE BRASÍLIA
O diretor-geral da Imprensa Nacional, Fernando Tolentino, distribuiu a funcionários, na sede da estatal e em horário de expediente, uma carta pedindo votos aos candidatos do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ao governo do DF, Agnelo Queiroz.
A Imprensa Nacional, órgão da Presidência ligado diretamente à Casa Civil, é responsável pela publicação do "Diário Oficial" da União.
A legislação veda esse tipo de atitude e a tipifica como abuso de poder. A lei 8.112, que dispõe sobre servidores públicos federais, diz no art. 117 que é proibido promover manifestação de apreço ou desapreço no trabalho; valer-se do cargo para ter proveito pessoal ou para outros; e exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo e com o horário de trabalho
A Lei Eleitoral proíbe ainda a conduta do diretor-g eral, vedando a atuação de servidor por partidos ou coligações durante horário de expediente, a não ser que esteja de férias ou licenciado, o que não é o caso do dirigente.
Na carta, Tolentino, que é filiado ao PT, elogia o presidente Lula e critica a oposição "raivosa" e "inconformada". O dirigente confirma a autoria da carta e que a distribuiu na sede da estatal, mas somente "para amigos". Ele nega que o texto tenha sido entregue indiscriminadamente a todos os servidores.
Ao elencar o que considera avanços do governo Lula, diz se sentir recompensado "porque, ao dar um basta na política do Estado mínimo, o governo estancou o processo de desmonte da Imprensa Nacional." Em seguida, Tolentino afirma ter ajudado no processo de fortalecimento do órgão e que eleger Dilma é a garantia de "dar continuidade a esse processo".
"Para aprofundar as mudanças em nível nacional, é preciso eleger Dilma Rousseff, a principal auxiliar de Lula e nossa ex-min istra chefe da Casa Civil", afirma em um trecho da carta.
Além de pedir votos para a candidata petista, Tolentino sugere que os funcionários votem em Agnelo e dá dicas para votar em candidatos a deputado federal e distrital da coligação do PT."Para deputado distrital [dá para confiar] somente nos que começam com 13 (PT), 10 (PRB), 12 (PDT), 40 (PSB), 44 (PRP) e 65 (PC do B). Cuidado porque há outros partidos que apoiam Agnelo, mas alguns de seus candidatos bandearam-se para a turma de [Joaquim] Roriz: 14 (PTB), 15 (PMDB) e 36 (PTC)", explica o diretor-geral.
Um funcionário que pediu para não ser identificado disse que recebeu a carta quinta à tarde de uma funcionária ligada diretamente a Tolentino. Segundo ele, a servidora chegou ao seu departamento com uma pilha considerável de cartas e as distribuiu para todos. Tolentino disse que não pediu a ninguém para que distribuísse as cartas.
O servidor da estatal disse que não se julga amigo do diretor, mas que mesmo assim a carta lhe foi entregue.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
VAMOS ACERTAR DE NOVO!!!
(A propósito do artigo de Ferreira Gullar “Vamos errar de novo?”,
Inicio com uma nota pessoal: aprendi a gostar de poesia quando fui apresentado aos poemas de Ferreira Gullar, nos anos 80. Apaixonei-me à primeira leitura pela delicadeza, pela profundidade e pela sofisticação de sua leitura dialética de tudo que é profundamente humano e brasileiro. Da “noite ocidental, obscenamente acesa sobre meu país dividido em classes” ao “açúcar branco e puro, produzido por homens de vida amarga e dura, para adoçar o café numa manhã em Ipanema”. Pra mim, são poemas imortais.
Mas desde o início do Governo Lula, percebo em Gullar uma indisposição visceral para com Lula e o PT. Um ódio tão impressionante que faz jus à postura do velho PCB de afagar a “burguesia nacionalista e democrática” enquanto combatia impiedosamente o surgimento e o crescimento do PT.
É uma pena que alguém que escreveu versos tão contundentes e apaixonantes para denunciar as iniqüidades sociais do país menospreze as realizações de um governo que conseguiu tirar 30 milhões de pessoas da miséria extrema e elevar à “nova classe média” mais 20 e tantos milhões!
Por que os governos da burguesia nacional, que nunca fizeram tanto pelo povo, mereciam apoio incondicional daquela esquerda na qual militou Gullar e hoje o governo do primeiro operário presidente só merece repúdio e condenação?
Não há dialética que explique!
E, pior: ainda se prefira e defenda, como alternativa, um candidato que representa o atraso, o retrocesso ao tempo em que o mercado contava mais que as pessoas, como exemplificam as privatizações, o Proer e a tibieza das ações sociais no governo demo-tucano, do qual Serra foi ministro 2 vezes: primeiro do Planejamento e depois da Saúde.
Parece uma dialética do povo que termina no calçadão da praia...
Gullar foi a maior parte da sua vida um homem de esquerda, filiado ao PCB. Não tem nenhuma obrigação de assim continuar para que se possa ver em sua trajetória alguma coerência. Mas juntar-se à direita para tentar derrotar os tímidos avanços da esquerda no país já é um pouco demais!
Num de seus mais belos poemas, escrito em homenagem a Che Guevara, “Dentro da noite veloz”, Gullar terminava dizendo que “a vida muda como a cor dos frutos; lentamente e para sempre; a vida muda como a flor em fruto; velozmente”.
Pois é. A vida mudou muito no Brasil nos últimos anos. Velozmente e para sempre! Especialmente porque o povo brasileiro, a quem Gullar dedicava seus poemas até a década de 70, não está mais atrás de salvadores da pátria – ainda que selecionados por currículo – e aprendeu a decidir sobre projetos de país, que é o que esta eleição coloca em jogo!
É lamentável que um intelectual, um artista que demonstrou tanta habilidade e maestria em usar a dialética em sua poesia não saiba – ou não queira – usá-la numa simples análise de conjuntura política.
Tudo para ele se resume a características curriculares. Não há por trás de Serra e Dilma visões de país; projetos de nação; assim como não há programas de governo nem visões de papel do Estado, já testados e avaliados pelo povo brasileiro: o neoliberalismo demo-tucano e o socialdesenvolvimentismo petista.
Se fosse por currículo, FHC teria que ter feito o melhor governo desse país. Mas, embora pareça ser o que pensa Gullar, não é o que pensam 80% de seus compatriotas.
Estamos elegendo a presidente do Brasil, não o chefe de um departamento da USP! Alguém que não precisa ser especialista em nada, mas terá que decidir sobre tudo. E até os especialistas sabem o quanto é difícil, por vezes, tomar uma única decisão.
Por fim, a comparação de Dilma com Jânio e Collor (“surgidos do nada”) é de um mau-caratismo que desonra a trajetória de Gullar. Só pra refrescar a memória: Jânio não surgiu do nada, mas da apologia udenista e golpista contra a “sujeira” do Governo JK. Collor também não surgiu do nada, mas da estratégia da direita - muito bem construída com a ajuda da Veja, da Globo et caterva – para impedir a vitória de Lula. Turma esta – udenistas, golpistas, Veja e Globo – que, como se vê, Gullar prefere, hoje, a seus antigos companheiros de luta. Uma lástima!
Ainda bem que a arte de Gullar é a poesia! Que continue sendo um grande poeta e que sua poesia continue ajudando a entender o Brasil.
Kleber Chagas Cerqueira (Professor e Servidor Público em Brasília)
VAMOS ERRAR DE NOVO?
Ferreira Gullar
Folha de São Paulo, 05.09.2010
Faz muitos anos já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.
Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Dura nte a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.
Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado "essa gente de Ipanema" de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.
Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.
Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.
Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.
No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.
A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscut� �vel competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.
O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada - Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?